quarta-feira, setembro 14, 2005

Bento XVI e o julgamento de Boff




Inacreditável seria se Genésio Boff, ex-frei Leonardo, ficasse calado ao saber que o novo Papa é o Cardeal Joseph Ratzinger. Nada mais esperado que ouvirmos suas estapafúrdias e repetidas alegações, tachando o agora Bento XVI de retrógrado, conservador, entre outros adjetivos - fazendo eco aos inimigos da Igreja.
A origem de tanta amargura de ex-Leonardo (ex-franciscano, ex-católico, etc) está no processo que sofreu junto à Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o Sumo Pontífice gloriosamente reinante, à época cardeal, era o prefeito. De fato, no desenrolar dos procedimentos verificou-se a flagrante contradição entre os ensinos de Boff e a doutrina católica, o que resultou na sua deposição da cátedra, no silêncio obsequioso que foi obrigado a observar, e na condenação a seu livro-panfleto "Igreja, carisma e poder."
Claro que essas penas não foram injustas! Após minuciosa análise das teses boffianas por peritos em teologia, chegou-se à elementar conclusão de que elas não representavam a Fé Católica. Ora, se algo é estranho a uma crença religiosa, é evidente que seja proibido pelas autoridades da mesma de ser pregado por quem se diz pertencente a tal religião. Noutras palavras, o livro de Boff não é católico simplesmente porque... ensina doutrinas não-católicas. Não entendo o motivo de tanto ataque, alarde e insatisfação! Se Boff não tem idéias católicas, não professa o credo católico, não obedece às autoridades católicas, prega doutrinas contrárias à Fé Católica, por que ficou magoado quanto Ratzinger só confirmou tudo isso com seu julgamento, o que o próprio ex-Leonardo já apregoava em seu livrinho? Se Genésio Boff, ex-OFM, crê de modo diferente dos católicos, que funde sua própria igrejola!
Ninguém é fisicamente obrigado a ser católico. Mas os que são devem crer na doutrina em toda a sua integridade. A Igreja não é um supermercado, onde escolhemos o que nos agrada e descartamos o resto (para comprar, talvez, em outro lugar, "mais barato"). Ou cremos em tudo ou não cremos em nada. Ser católico não é rezar orações católicas, ou ter sido criado no catolicismo, ou ir à Missa: ser católico é aderir ao Romano Pontífice, obedecendo suas ordens (por sua suprema autoridade de governo) e crendo em seu Magistério (por sua suprema - e infalível - autoridade de ensino).
Colocar a culpa em Bento XVI pela condenação de Boff é tão absurdo quanto, mutatis mutandis, criticar um juiz que aplica a lei a um bandido. O crime foi cometido por este último; o magistrado só julgou, com base em provas concretas, e o condenou. De igual modo, foi Boff quem pregou doutrinas anticatólicas: poderemos culpar Ratzinger por fazer seu trabalho, por ser fiel à sua função, por condenar quem efetivamente cometeu um erro? O católico errará em observar os ditames de sua religião, restando que o verdadeiro "católico" (um desses "Boffs" da vida) seja quem professa doutrinas contrárias à Igreja Católica?
E não se diga que foi desrespeitada a liberdade de expressão! Boff pode pensar e expressar o que quiser. Mas não cabe, pensando diferentemente da Igreja, aspirar ser católico, pelos motivos já aludidos. Boff e Igreja Católica são excludentes!
O que Genésio quer é aparecer...

4 comentários:

Marina Feund disse...

Seu texto relata com precisão o que aconteceu em relação a "questão Boffiana". Boff é um ex-tudo... ele cedeu e concedeu-se ao mundo! E como você disse no final de seu texto, a vaidade é o que o motiva ! Parabéns pelo texto! Cordialmente, Marina

rodrigo disse...

Muito bom texto. Não sou católico nem nada-o-quê, tenho 24 anos. Ando a estudar um pouco o Cristo, o Kardec... por meios meus com ajuda de um amigo, Fábio Ulanin. Pensa este como você. Gostei deste texto mesmo.
Um abraço.

Anônimo disse...

O artigo é preconceituoso e cheio de prejulgamento. Se não fosse o poder de divergir de Roma,não teríamos hoje a imensidão de irmãos evangélicos que são aceitos pela própria Igreja Católica, como irmãos. Se são contra, não seriam irmãos. Logo?! A verdade haverá de triunfar.

Anônimo disse...

Nunca melhor dito. De acordo com todas e cada uma de suas palavras.

Cân. 750 – § 1. Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal; isto é, o que se manifesta na adesão comum dos fiéis sob a condução do sagrado magistério; por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.

§ 2. Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo o que é proposto de maneira definitiva pelo magistério da Igreja em matéria de fé e costumes, isto é, tudo o que se requer para conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé; opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela.