domingo, setembro 11, 2005

Dom Marcelo Barros e a Fé Católica

Impressionante como algumas pessoas insistem em chamar-se católicas, em continuar no seio formal da Igreja, e mesmo assim professar uma fé diferente da que é pregada pela mesma.
Pior ainda quando essas pessoas são religiosas. E, acontecimento horrendo, é ainda pior quando, além de religiosas, são sacerdotes!
Tal é o caso de Dom Marcelo Barros, OSB, prior do Mosteiro da Anunciação, em Goiás Velho, no Brasil. Reiteradas são suas posições extremamente contrárias ao ensino da Igreja, contra o qual desfere artigos petulantes, desaforados, mal-educados, desnecessariamente agressivos, e recheados da mais pura gnose (igualitarismo, marxismo, zen-budismo, panteísmo, protestantismo, tudo isso numa colcha de retalhos religiosa).
Sua última investida, travestida de teologia, foi uma carta ao falecido Papa João Paulo II, na qual dirige-se ao Romano Pontífice chamando a este pelo atrevido título de "irmão". O Papa, pelo Batismo, é nosso irmão em Cristo, irmão na fé. Contudo, por sua sagração episcopal, torna-se "irmão no episcopado" dos demais Bispos – e Dom Marcelo não é Bispo, mas simples presbítero. Não deixa de ser nosso irmão, mas a qualquer Bispo devemos um respeito que é refletido até mesmo nas regras de cortesia e no trato protocolar. A eles, os Bispos, chamamos "Excelência Reverendíssima", e, se Cardeais, "Eminência". Aos Bispos detentores do título de Patriarca, cabe a denominação de "Sua Beatidade". Não é diferente em relação ao Papa. A ele deve-se respeito até nas palavras, e mais ainda por ser o chefe supremo de nossa Igreja. O Papa é "Sua Santidade" e não um "irmão". Chamando-o assim, Dom Marcelo Barros, OSB, demonstra sua fé igualitária, profundamente gnóstica, o que confirma suas teses marxistas e pseudo-ecumênicas anteriormente defendidas.
João Paulo II publicou uma encíclica, Ecclesia de Eucharistia, na qual exorta contra os abusos litúrgicos, e reafirma a Fé da Igreja na doutrina de sempre: a Eucaristia é presença real de Cristo, e a Missa é o sacrifício de Cristo tornado presente. O título, em latim, significa "A Igreja Vive da Eucaristia", e contra esse documento é que o monge petulante dirige seus ataques.
Dom Marcelo fala verdadeiros absurdos em seu artigo denominado "Eucaristia: comunhão ou ato de exclusão? Perguntas de um monge ao papa". Palavras escolhidas do monge estão em negrito e itálico. Meus comentários estão em fonte normal.
>Será que esta carta não confunde o sinal com a realidade?
Um monge beneditino que parece esquecer as mais basilares lições de teologia católica! O sinal em questão é o sacramento da Eucaristia. Para Dom Marcelo Barros, OSB, a Eucaristia, por ser sinal, não é realidade: é o que ele mesmo diz. Admitir outra interpretação para sua frase seria forçar o sentido que têm as palavras, e contrariar a lógica.
Ora, a doutrina católica é claríssima: sacramentos são canais da graça, sinais visíveis da graça invisível, que realizam aquilo que significam. Atente, caro leitor: o sinal (significado da palavra sacramento) REALIZA o que significa, i.e., TORNA REALIDADE aquilo que significa. Em conclusão, a dimensão de sinal, dimensão sacramental, da Eucaristia, não é antagônica da dimensão real. Tanto o sinal quanto a realidade convivem na definição do sacramento. É pelo sinal que a realidade ocorre, se torna presente. A Sagrada Eucaristia é sinal, mas também realidade; Nosso Senhor Jesus Cristo está REALMENTE presente na Eucaristia sob os sinais aparentes do pão e do vinho. Esses elementos – pão e vinho –, não existem mais depois da consagração, pois as palavras do padre sobre eles os mudaram no verdadeiro e Santíssimo Corpo e no verdadeiro e Preciosíssimo Sangue de Cristo Jesus. Vemos pão, sentimos cheiro e gosto de pão, vemos vinho, sentimos cheiro e gosto de vinho, e isso são meros sinais, é uma aparência. Todavia, além do sinal que nos informam os sentidos, está a realidade de que a Jesus está real e substancialmente presente naquilo que parece ser pão e naquilo que parece ser vinho. Por trás do sinal, a realidade.
Dom Marcelo não entende muito bem a doutrina católica acerca dos sacramentos, nem captou adequadamente a idéia de sinal – talvez fruto de uma defeituosa formação tomista... Dom Marcelo não crê que a Eucaristia, além de sinal, seja a presença verdadeira de Cristo. Para ele, a Eucaristia é mero sinal, mero símbolo da presença de Cristo. Como pretendiam Calvino e Zwinglio, hereges protestantes.
Não é o Papa quem confunde sinal com realidade. É Dom Marcelo Barros, OSB, quem confunde verdade católica com mentira herética, não crendo na presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia.
>Não é mais correto dizer que a Igreja vive do amor solidário, serviço (...).
Dom Marcelo quer uma resposta curta? Pois ei-la: NÃO! A Igreja vive da graça, e a graça nos é dada ordinariamente pelos sacramentos. Ora, se a Eucaristia, por ser a presença real de Cristo e a renovação da Cruz – fonte de todos os sacramentos, madeiro no qual Nosso Senhor, ao morrer, conquistou-nos e mereceu-nos a graça –, é o sacramento mais sublime, podemos considerá-la a base da vida da Igreja. O amor solidário, o serviço, são conseqüências da vida da Igreja, e não sua sustentação.
Uma comparação creio caber nesse momento. Todos, pessoas naturais, somos chamados ao amor solidário, ao serviço, ao testemunho da fé, ao apostolado, à vida caritativa, ao desempenho profissional para o sustento de nossa família. Esses elementos é que nos fazem viver? Claro que não! A vida nos é dada pelo alimento, pela comida, pela manutenção da saúde. Aquelas atividades, e todas as outras, são a conseqüência de nossa vida, e não a causa. Porque nos alimentamos, vivemos, e porque vivemos podemos fazer apostolado, trabalhar, servir, testemunhar o amor solidário etc.
A mesma coisa se dá com a Igreja. Ela é chamada ao amor solidário e ao serviço – entre outras coisas, claro, pois a finalidade precípua da Igreja é a salvação e a santificação das almas –, mas não vive disso. Ele deve desempenhar esse trabalho, e para isso necessita se alimentar. O alimento da Igreja é a Eucaristia. Alimentando-se, a Igreja pode praticar o amor solidário e o serviço, tão caros ao crítico monge.
Dom Marcelo – coitado, tão confuso! – não discerne entre causa e efeito. Umas aulinhas de lógica não lhe fariam mal algum!
>Na carta, o senhor cita várias vezes o Concílio Vaticano II e alguns documentos do >magistério romano recente, mas a doutrina ali expressa sobre a eucaristia é a do Concílio >de Trento no século XVI, que o senhor julga ser atual e propõe como referência >dogmática para a Igreja toda (n. 9). Como o senhor está ao par de todo o trabalho >teológico que, nos últimos séculos, tem sido elaborado sobre a eucaristia, deduzo que o >senhor, simplesmente, não acha importante esta evolução. Ao contrário, até na >linguagem, recua em relação ao Vaticano II. Fala do “santo sacrifício da Missa” e não da >Ceia do Senhor, como chama os ministros de sacerdotes e não de presbíteros.
>A teologia é clara: “A missão torna presente o sacrifício da cruz. Não o repete, nem o >multiplica. O que se repete é a celebração memorial” (n 12). Se é assim, será que, hoje, a >linguagem sacrificial ainda é a mais adequada para expressar a verdade do memorial?
Nesses parágrafos, Dom Marcelo contradiz a doutrina católica de um modo frontal, e sem deixar margem para nenhuma interpretação in bonam partem. Alguns de seus erros merecem ser destacados:
1) O referido monge toma o Concílio Ecumênico Vaticano II como uma espécie de super-concílio que desautoriza os anteriores. Ora, antes de qualquer coisa o Vaticano II não foi um concílio dogmático nem pretendeu sê-lo. Suas definições foram pastorais, o que é dito pelos próprios Papas que o convocaram e presidiram – Beato João XXIII, e Paulo VI – e também pelo atual Soberano Pontífice gloriosamente reinante, Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Sendo pastoral, e não propondo dogma algum, nada mais natural que a ausência, no documento atacado por Dom Marcelo, de uma pretensa "doutrina do Vaticano II" acerca da Eucaristia: não há tal doutrina, o Vaticano II não propôs nada acerca dela...
Ademais, mesmo que o aludido sínodo universal declarasse novas formulações dogmáticas, elas em nada poderiam se afastar da Revelação: a doutrina católica não evolui, não muda, mantém-se tal qual nos foi dada por Cristo aos Apóstolos – por isso, diz-se Tradição Apostólica.
"A Igreja Católica e Apostólica não muda. A Revelação foi toda feita até a morte do último Apóstolo, São João. Nada mais é acrescentado ao depósito da fé, que 'a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade' (1 Tm 3,15), sobre a qual 'as portas do inferno não prevalecerão' (Mt 16,18), fielmente preserva, conforme o mandamento de São Paulo. 'Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós.' (2 Tm 1,14) Se somos 'concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus' (Ef 2,19-20), não nos é permitido apartar do conjunto das verdades reveladas aquelas que nos parecem um tanto desinteressantes. À Igreja não cabe mudar sua doutrina. Nós é que precisamos a ela nos submeter.
'Portanto, nós submetemos ao rigoroso interdito do anátema, se porventura qualquer um, ou nós mesmos, ou um outro, tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa concernente à integridade da nossa Fé, ou consentindo a quem quer que seja que pretendesse fazê-lo com ardil sacrílego.' (Papa Santo Agatão. Juramento Papal) (Brodbeck, Rafael Vitola. A mulher e o sacramento da Ordem; manuscrito)
Quando um dogma é proposto, seja por Concílio Ecumênico seja diretamente pelo Romano Pontífice, nada mais se está fazendo do que a declaração de que determinado ponto de doutrina, até então não completamente explicitado, faz parte do Depósito da Fé. Não se inventa, com o dogma, uma doutrina nova.
Assim, se um dogma foi definido, ele o é para sempre. Tanto faz se foi no Concílio de Nicéia, no de Trento, no Vaticano II.
Quando Dom Marcelo Barros, OSB, questiona a validade do pronunciamento papal por ser a doutrina expressa por Sua Santidade a mesma do Concílio de Trento, está, na prática, dizendo que não aceita a formulação dogmática desse citado sínodo. E isso é grave! Gravíssimo! Um Concílio Ecumênico não anula o outro. Se aparentemente há discordância entre eles, deve-se seguir a regra da lógica: a) interpretar todos à luz da Tradição; b) dar a cada um o peso que ele mesmo propôs a si (o dogma sobre a pastoral, por exemplo).
Não há discordância entre Trento e o Vaticano II – nem poderia haver! Por isso o Papa pode usar textos de ambos os concílios e doutrinas de ambos. Se para Dom Marcelo há uma discordância, ela é aparente, e como tal deve ser resolvida pela fórmula que citei. Em qualquer caso, a definição dogmática dada pelo Concílio Ecumênico de Trento é infalível, suprema, perene, e não pode, por isso, ser questionada, sob pena de não estar mais o questionador na verdade católica. Trento é e continuará sendo atual. Mesmo que Dom Marcelo não queira.
2) Os termos utilizados pelo Tridentino são os mais perfeitos – por isso mesmo é um dogma. Nunca a Igreja soube precisar tão bem o que se passa no mistério eucarístico como quando por ocasião das definições do concílio que Dom Marcelo ataca. Natural que o Papa utilize essas formulações, aliás, citadas no Catecismo da Igreja Católica, e reproduzidas mesmo nos concílios subseqüentes – inclusive no Vaticano II.
Resta ensinar a Dom Marcelo que o Magistério Eclesiástico não se contradiz. A Igreja é a mesma. Sua doutrina também.
3) Dom Marcelo Barros, OSB, não crê que a Santa Missa seja um sacrifício, nem que os padres sejam sacerdotes. Só porque o Vaticano II usou mais o termo Ceia do Senhor, não está invalidada a definição de que a Missa é um sacrifício, pois esta é dogmática, e, como vimos, infalível e perene. Tampouco o termo presbítero invalida o caráter sacerdotal. O presbítero é um sacerdote... É como dizer do membro da Polícia Militar que seja policial e militar: uma condição não nega a outra... Só para Dom Marcelo...
Afasta-se o monge da doutrina da Igreja. Primeiro, não crê que a Missa seja sacrifício, e isso é heresia. Segundo, parece defender a tese de que os dogmas mudam suas formas ou significados, e isso também é heresia. Terceiro, contrapõe-se ao Papa como se ele não fosse o juiz máximo na terra a pontificar sobre o que é ou não atual, e isso novamente é heresia. Não satisfeito, na última citação dá como que a declaração formal de ser modernista, e isso, meus caros, é mais uma heresia.
O que o Papa João Paulo II diz em sua última encíclica não é nenhuma novidade: é a doutrina de Trento – como bem reconheceu Dom Marcelo –, é a doutrina do Vaticano II – o que não foi reconhecido pela teologia obtusa de Dom Marcelo –, é a doutrina da Igreja – a Igreja de sempre, não a que Dom Marcelo defende.
Entre Dom Marcelo Barros, OSB, e o Sacrossanto Concílio Ecumênico de Trento, fico com este último: foi o que melhor definiu o tema da Eucaristia como verdadeiro sacramento onde Cristo está real e substancialmente presente; e a Santa Missa como o sacrifício de Nosso Senhor oferecido de uma vez por todas na Cruz mas tornado real, substancial e novamente presente em nossos altares. Entre Dom Marcelo Barros, OSB, e Sua Santidade, o Papa João Paulo II, também fico com este último: foi a ele que Nosso Senhor deu as chaves para guiar Sua Santa Igreja, infalível e indefectivelmente até a consumação dos séculos; contra ela, as portas do inferno não prevalecerão jamais.
>Formado na teologia e espiritualidade do Concílio Vaticano II, reconheço o senhor como >bispo de Roma e primaz da unidade entre as Igrejas mas não como um super-bispo ou >definidor da fé das pessoas. Aceito o primado do papa como ministério querido por Deus, >mas isso não inclui a nomeação dos bispos, nem a definição de um direito universal, ou >um catecismo de doutrinas que todos os católicos do mundo devam crer.
Outra pérola do absurdo emanada da confusão teológica do monge – que, por outros artigos e posições, revela uma mentalidade gnóstica e profundamente panteísta, afastando-se, novamente, da doutrina católica.
O Papa é o definidor da Fé. Essa é a função dele. Cabe a cada um aceitar o que ele diz ou não. Mas também cabe a cada um ser coerente e sofrer as conseqüências. Quem não aceita o que Papa ensina, não pode ser considerado visível e materialmente católico apostólico romano.
Dom Marcelo aceita uma espécie de primado de honra do Papa, mas nega o de jurisdição, contrariando o ensinamento católico. Esse pensamento seu é fruto da negação da infalibilidade pontifícia, incorrendo novamente o religioso beneditino em heresia. Mais uma...
A nomeação de Bispos não é essencial ao primado do Papa, como bem expressa Dom Marcelo, mas ele, em virtude do mesmo primado, pode avocar essa competência para si. É uma lei eclesiástica, e não uma norma de Direito Divino. Todavia, em razão do Direito Divino, pode a Igreja, em normas de Direito Humano, disciplinar determinadas ações de competência privativa do Papa. Nesses assuntos, ainda que possamos discordar do Papa, eis que não envolvem matéria de fé ou moral, o silêncio respeitoso muito ajuda a manter a unidade interna da Igreja. Parece que isso não é interessante para Dom Marcelo Barros, OSB.
Quanto aos outros pontos – definição de um direito universal e de um catecismo de doutrinas que todos os católicos do mundo devam crer – equivoca-se grandemente Dom Marcelo. Justamente é essa, como já dissemos, a missão do Santo Padre, o Papa. Se Dom Marcelo diz que aceita o primado do Papa, como pode então negar a função e a própria conseqüência desse primado? Se não está Dom Marcelo prestes a um cisma prático, negando a doutrina da Igreja e os poderes do Romano Pontífice, coloca-se seguidor de uma teologia que não é católica, mas herética.
Ao contrário do que sustenta Dom Marcelo, a Igreja diz que a Santa Missa é um sacrifício, que o presbítero é um sacerdote, que o Papa possui a infalibilidade e o primado de jurisdição, que o Vaticano II não anulou o de Trento – nem poderia, por ser este dogmático –, que o sinal do sacramento não o exclui da realidade.
Dom Marcelo Barros, OSB, é um sacerdote do Altíssimo, pois uma vez conferido o sacramento da Ordem, não mais se perde, eis que ele imprime caráter na alma. Dom Marcelo Barros, OSB, é um religioso, porque vinculou-se juridicamente a um instituto religioso, no caso a Ordem de São Bento, e dela não afastou. Dom Marcelo Barros, OSB, é um monge, afinal seu instituto é tido por monacal, adotando uma disciplina monástica. Dom Marcelo Barros, OSB, entretanto, não é católico, pois sua doutrina se afasta radicalmente daquela proposta pela Igreja – da qual tem uma visão progressista e pseudo-ecumênica –, celebrada na Missa – da qual tem uma visão protestante –, protegida pelos dogmas – dos quais tem uma visão modernista –, e comandada pelo Papa – do qual tem uma visão romântica e proto-cismática.
Dom Marcelo Barros, OSB, é sacerdote, é religioso, é monge... Mas não é católico!

2 comentários:

Jorge Ferraz disse...

Parabéns pelo Blog, em particular pelo artigo contra D. Marcelo Barros.

Que esse espaço virtual possa servir para a Defesa da Doutrina Católica e Apostólica, e possa ser útil à maior glória de Deus e à salvação das almas, é o que pelo à Virgem Santíssima.

Paz e Bem!

Veredas disse...

Vcs q se dizem o q acham q são... São na verdade, uns merdas !
Falsos profetas, ainda saudosos do chicote do mestre !

Cân. 750 – § 1. Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal; isto é, o que se manifesta na adesão comum dos fiéis sob a condução do sagrado magistério; por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.

§ 2. Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo o que é proposto de maneira definitiva pelo magistério da Igreja em matéria de fé e costumes, isto é, tudo o que se requer para conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé; opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela.