domingo, dezembro 18, 2005

Mais à esquerda do que aparenta

Esta é a realidade, expressa no título: o Partido dos Trabalhadores não deixou de ser socialista para se aliar à direita, às elites, aos banqueiros, ao "projeto neoliberal de FHC, de Bush, da ALCA e do FMI", como gritariam Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro. Ainda que aparente ter traído seus "princípios proletários", o PT está é colocando em prática a mais primitiva das técnicas apregoadas por Lênin, a da criação das condições propícias de tomada de poder.


Vejam bem: com o discurso radical contra a propriedade privada, contra o respeito aos contratos, a favor da estatização das empresas, o PT amargou duras derrotas de seu eterno candidato Lula à presidência da República. A mudança de tom era necessária. Não porque o PT mudara, mas para atrair os incautos e, de outra maneira, mais sutil, destilar o veneno marxista em doses homeopáticas. Assim, galgando os degraus do Planalto, Lula mostrou-se mais flexível, e até foi pedido ao MST e à CUT que tolerassem o fingimento do PT fazendo-se centrista. Já no poder, tratou o Partido de desenvolver trabalho dúplice: fortalecia a economia de um modo quase-direitista (notem o quase, pois se direitista fosse, não haveria essa absurda taxa de juros destroçando a classe média, a propriedade privada e a livre-iniciativa, os pilares de uma ordem realmente conservadora); e, por outro lado, aumentava tributos, manipulava o Parlamento com mensalões, aparelhava o Estado, fortalecia os vínculos com Cuba e a Venezuela de Chávez, patrocinava com dinheiro público as passeatas de grupos campesinos em suas desordens de costume, e, em açóes menos visíveis, elogiava ex-guerrilheiros comunistas, subvencionava históricos programas igualitários (pró-homossexuais, pró-aborto, pró-confisco da propriedade rural, v.g.), tudo em consonância com os postulados socialistas.



Se o PT agisse de modo mais explicitamente esquerdista, seria defenestrado dos palácios que ora ocupa. Sorrateiramente, cobriu com um espetáculo um pouco menos vermelho, tal qual cortina de fumaça, a ação típica de seu programa favorável ao totalitarismo.



Agora protestam os extrema-esquerda contra Lula, mas por não entenderem que, no momento presente, o interesse da Revolução é posar de boazinha, melhorar a saúde financeira das empresas (quem quer tomar para si sociedades instáveis e sem lucratividade?), aparentar certo direitismo. O PT age à moda de Gramsci e Lênin, e não como os juvenis Mao e Che. É, assim, mais comunista (e traiçoeiro) do que os PSTU, P-SOL e PCOs da vida! O PT não se corrompeu por causa da direita. Apenas colocou as unhas de fora, teimando no esquerdismo que não pensa ser corrupção nada que o Partido sancione como justo, pois, conforme a máxima gramsciana, tudo é permitido ou proibido, virtuoso ou criminoso, somente segundo o que define sua própria cartilha.


Um comentário:

Marina Freund disse...

Prezado Rafael,
Excelente seu texto sobre esta corja nefanda que está no poder! Justiça social, desenvolvimento econômico em consonância com os valores cristãos passam longe destes bandidos ... inclusive penso mesmo que você foi muito brando em sua análise!
Aproveito a oportunidade para deixar-lhe meus votos de um Feliz e Santo Natal e que muitas realizaçoes o aguardem no ano que se inicia.
Um cordial abraço,
Marina

Cân. 750 – § 1. Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal; isto é, o que se manifesta na adesão comum dos fiéis sob a condução do sagrado magistério; por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.

§ 2. Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo o que é proposto de maneira definitiva pelo magistério da Igreja em matéria de fé e costumes, isto é, tudo o que se requer para conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé; opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela.