terça-feira, novembro 28, 2006

Ditadura do relativismo

É a expressão de Bento XVI para caracterizar o regime filosófico imposta ao mundo contemporâneo. Desde o início do Conclave que o elegeu, o então Cardeal Joseph Ratzinger vem despertando os fiéis para responder a esse iníquo sistema, sintoma de uma sociedade que abdicou do pensamento.

Não poderia o Papa cunhar sentença mais feliz: ditadura do relativismo. Relativismo porque a idéia central é a ausência da verdade absoluta, tese já velha, que vem do século XVII. Mas é ditadura, também, e aqui está a novidade, pois é proibido sustentar o contrário. Todos têm um direito a tudo (até ao erro), menos direito a pensar que essa liberdade de errar é mera tolerância. Tudo, então, é relativo, exceto o próprio relativismo – e aí a petição de princípio. Já que a verdade é relativa, qualquer um é livre para acreditar no que quiser, menos defender que ela seja absoluta. Se o relativismo é um erro, pior ainda o que não admite que a ele alguém se oponha.

Conseqüência lógica dos ideais iluministas – porque assim eliminam-se os adversários de seu errôneo programa –, parece tal cerceamento uma contradição. Sim, pois se a liberdade é absoluta e a verdade relativa – portanto, todas as idéias são igualmente aceitas –, por que os defensores da liberdade relativa e da verdade absoluta são perseguidos? Então a liberdade não é tão absoluta, nem a verdade tão relativa!

O que está por trás disso não é o amor à liberdade, mas o ódio à verdade. Sob a capa de uma liberdade absoluta – que, aliás, seria imoral –, esconde-se a mais terrível das tiranias.

Na realidade, nem os que propugnam a verdade relativa nela acreditam. Pensam, no fundo, que ela é absoluta – pois negam a liberdade a seus opositores. Sua agravante é a hipocrisia. E a hipocrisia – atroz e autoritária – é sua arma principal.

Em guerra estão dois exércitos. O bem e o mal. A luz e as trevas. Os que dizem, com todas as letras, que a verdade é absoluta e a propõem aos homens, e os que também acham que é absoluta, mas disfarçam-na de relativa, e, desse modo, a impõem a todos.

Temos de reagir, antes que seja tarde.

5 comentários:

Promotor Fidei disse...

Mtos parabens pelo teu blog! É sempre bom encontrar católicos como tu, determinados a lutar e defender a sua fé.

Pax Domini Nostri Jesu Christi sit tecum.

Ricardo Antunes disse...

A igreja tem medo do Relativismo. É lógico. Não quer perder seu "poder", os fiéis, e continuar se impondo sobre os outros. Tudo que a prejudica, ela trata como profano.

Ver para crer disse...

Completamente de acordo com o presente post.
Relativizam tudo para impor a sua opiniao. Bolas para tal democracia!...

Danilo Cortez Gomes disse...

Uma democracia "revestida" de tirania. Ser cristão é vivenciar profundamente a liberdade que advém da "verdadeira verdade" (a redundância foi proposital).

Caro Rafael, permita-se apenas interferir no comentário do Ricardo...

Não é que a Igreja tenha medo do relativismo, pois a Verdade não teme a mentira ou o bem não teme o mal. O fato é que a Igreja se preocupa e busca orientar seus filhos quanto a essas teorias ilusórias que ao longos dos séculos a humanidade tem lançado mão.

No mais, parabéns Rafael pelo blog!!!

A paz do Senhor!

Marina Freund disse...

Parabéns Rafael! Por este texto tão claro, sereno e límpido sobre relativismos - e por todos seus textos! Seu blog é uma preciosidade!!

Cân. 750 – § 1. Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal; isto é, o que se manifesta na adesão comum dos fiéis sob a condução do sagrado magistério; por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.

§ 2. Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo o que é proposto de maneira definitiva pelo magistério da Igreja em matéria de fé e costumes, isto é, tudo o que se requer para conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé; opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela.