quinta-feira, março 23, 2006

A propósito do Opus Dei

Não sou do Opus Dei. Escrevo, portanto, com certa isenção de ânimo e plena liberdade. Tampouco, embora seja advogado, tenho procuração para defender a Prelazia, hoje tão atacada.


Erros existem em todos os aglomerados humanos. Evidentemente, não está isento o Opus Dei. Ainda assim, os fatos a essa instituição católica imputados estão longe de se constituírem erros. Mais um engano dos que nada conhecem da Igreja.


Entre os mais piedosos, humildes, e afáveis sacerdotes e leigos que conheço estão os do Opus Dei. Também muitas das mais sábias pessoas que são alvo de minha admiração por sua ciência (jurídica, humanística etc) encontram-se inscritas na Obra de Deus (seu nome em português). Daí estranhar as acusações de obscurantismo que a ela alguns atribuem. Ou não conhecem o Opus Dei e seus membros, ou não sabem o que é obscurantismo!


O Opus Dei nada mais é do que uma prelazia pessoal, uma espécie, grosso modo, de diocese sem território, mas em total comunhão com Roma, o Papa e os demais Bispos. Fundada por Josemaría Escrivá, um sacerdote espanhol elevado à honra dos altares, desde seu nascedouro recebeu a aprovação das autoridades eclesiásticas competentes. Não há o que discutir: seu fundador é um santo canonizado, e sua estrutura encontra-se inserida oficialmente não só na Igreja Católica como, por ser Prelazia, em sua organização hierárquica.


Tema dos mais controversos entre aqueles, dos quais falamos, que nada entendem de Igreja, está o da mortificação corporal. Qualquer tipo de penitência é prática tradicional da Igreja. Incluem-se aí o uso do cilício e as disciplinas, chamados pelos incautos flagelação. O Opus Dei não inventou nada disso. Apenas assume formas penitencias históricas entre os católicos. E não obriga ninguém a isso.


Há um propósito na mortificação, nas espirituais (orações impostas pelo confessor, esmolas, atos de piedade etc) e nas diversas modalidades corporais (entre as quais, além do cilício e das disciplinas, estão o jejum, a abstinência de carne e outras). Quem os pratica (e todos os católicos são obrigados a determinadas penitências, mínimas, como a abstinência de carne e o jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa) deseja alcançar certos fins: submeter o corpo à alma e a vontade à inteligência; abster-se de coisas lícitas (carne, por exemplo, ou, no caso do cilício, a ausência da dor) para melhor renunciar às ilícitas, i.e., pecaminosas; unir seus próprios sacrifícios pessoais ao Sacrifício de Cristo na Cruz; reparar as conseqüências dos pecados já perdoados (notem: não é para pagar o pecado, pois ele já foi limpo por Jesus na Cruz e tal perdão se torna presente quando o fiel recebe os sacramentos, sobretudo o Batismo e a Confissão); procurar a santificação não só da alma como do corpo, numa visão integral do ser humano; adquirir disciplina e constância, adestrando a vontade. A aceitação resignada das penas da vida, o cumprimento das penas dadas pelo confessor e a procura de penas livremente (jejuns, abstinências, cilícios, disciplinas) pelo fiel católico não absolutamente nada a ver com masoquismo ou desprezo pela matéria. Muito superficial seria tal leitura.

Os mais custosos sacrifícios, aliás, são empreendidos pelos que querem a beleza exterior e a saúde do corpo. Quantas dietas radicais, quantas máquinas de musculação cujas dores, muitas vezes, são bem maiores do que a ocasionada pelo cilício (usado sempre com moderação e sob rígida orientação de um diretor espiritual que pode proibir a mortificação, inclusive), e tudo em nome de coisas que passam. Não se pode almejar, por sacrifícios da mesma ordem e com semelhantes (ou menores) dores, a beleza interior e a saúde da alma?

Atacar os filhos é ferir a mãe. Acusar o Opus Dei, no fundo, é desmerecer a Igreja, que a louvou, incentivou e aprovou. Católicos de verdade, em sã consciência, não se podem deixar levar pela onda. Mesmo não sendo membros da Obra, todos nós, participantes de paróquias e movimentos, somos agredidos quando uma instituição, tão cara ao Papa e tão fiel à doutrina como ela, é caluniada.

3 comentários:

Marina Freund disse...

Prezado Rafael,
Um texto muito equilibrado e sensato sobre tema... tão pouco compreendido !
Parabéns por posicionar-se sobre isto!
Cordialmente,
Marina

Anônimo disse...

Acho que você deveria se informar melhor sobre os meios de manipulação e lavagem cerebral imputados aos numerários e numerárias desta dita "Obra de Deus". Ainda bem que Deus não cabe nessa mediocridade a qual o Opus Dei O reduz. Para felicidade de todos os Seus filhos, Ele é muito maior do que tudo isso.

Anônimo disse...

O comentário acima é meu, e meu nome é Vania Danigno.

Cân. 750 – § 1. Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal; isto é, o que se manifesta na adesão comum dos fiéis sob a condução do sagrado magistério; por conseguinte, todos têm a obrigação de evitar quaisquer doutrinas contrárias.

§ 2. Deve-se ainda firmemente aceitar e acreditar também em tudo o que é proposto de maneira definitiva pelo magistério da Igreja em matéria de fé e costumes, isto é, tudo o que se requer para conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé; opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais proposições consideradas definitivas.

Cân. 752 Não assentimento de fé, mas religioso obséquio de inteligência e vontade deve ser prestado à doutrina que o Sumo Pontífice ou o Colégio dos Bispos, ao exercerem o magistério autêntico, enunciam sobre a fé e os costumes, mesmo quando não tenham a intenção de proclamá-la por ato definitivo; portanto os fiéis procurem evitar tudo o que não esteja de acordo com ela.